Diga com quanto quer viver e em que idade quer parar. A calculadora devolve o patrimônio necessário e quanto você precisa guardar por mês para chegar lá — mantendo o patrimônio para sempre ou consumindo-o ao longo de um período definido.
Metodologia, fórmulas e premissas por trás de cada número
O movimento FIRE (Financial Independence, Retire Early) defende que qualquer pessoa pode parar de depender de um salário se construir um patrimônio suficiente para sustentar seu padrão de vida. Não se trata de ficar rico, e sim de ter liberdade de escolha sobre como gastar seu tempo.
1. Renda perpétua (patrimônio preservado). Você saca por ano apenas uma fração pequena do patrimônio — a taxa de saque —, de modo que o rendimento real reponha o que foi retirado. O capital dura indefinidamente e é deixado como herança. É o modelo do FIRE clássico.
Patrimônio necessário = Despesa anual ÷ Taxa de saque Com 4%: 1 ÷ 0,04 = 25 × a despesa anual2. Consumir o patrimônio (depleção programada). Você aceita gastar o principal ao longo de um prazo definido — 25, 30, 40 anos — terminando com zero (ou com a herança que quiser deixar). Como o capital não precisa ser eterno, o valor exigido cai bastante: normalmente 30% a 45% menos que a renda perpétua. É o cálculo de valor presente de uma série de saques, o mesmo usado por planos de previdência.
Patrimônio necessário = Renda mensal × [1 − (1 + i)^−n] ÷ i × (1 + i) + Herança desejada ÷ (1 + i)^n i = taxa real mensal · n = nº de meses de rendaNesta calculadora os saques são feitos no início de cada mês (você precisa do dinheiro para viver o mês), e o saldo restante continua rendendo. Por isso a fórmula é a de uma anuidade antecipada, com o fator (1 + i) no final.
Definido o patrimônio-alvo, a calculadora resolve a conta ao contrário: dado o que você já tem hoje, quanto falta guardar todo mês até a idade em que quer parar. O patrimônio atual cresce sozinho no período e só a diferença precisa vir de aportes.
Aporte mensal = [Alvo − Patrimônio atual × (1 + i)^n] × i ÷ [(1 + i)^n − 1] i = taxa real mensal · n = meses até a aposentadoriaOs aportes são considerados no fim de cada mês e o resultado sai em reais de hoje. Na prática isso significa que, para manter o plano, o valor guardado precisa ser corrigido pela inflação todo ano — guardar R$ 6.409 fixos por quinze anos não é a mesma coisa. Se o resultado der zero, é porque o patrimônio que você já tem chega ao alvo sozinho, apenas com o rendimento real do período.
Uma observação importante: consumir o patrimônio não é imprudente, é uma escolha. O que é imprudente é subestimar o prazo. Se você projeta 30 anos de renda a partir dos 60 e vive até os 95, os últimos cinco anos ficam sem cobertura. Por isso vale calcular até uma idade generosa — 95 ou 100 anos.
O retorno bruto é o que o investimento rende no papel. Dele saem os custos e o imposto de renda, e o que sobra ainda é corroído pela inflação. A calculadora faz os dois descontos, nesta ordem:
Retorno líquido = Retorno bruto × (1 − alíquota de custos e IR) Retorno real = (1 + Retorno líquido) ÷ (1 + Inflação) − 1Com 10% brutos, 0% de custos e 4,5% de inflação, a taxa real fica em aproximadamente 5,3% ao ano. A segunda fórmula é a equação de Fisher — subtrair a inflação direto do retorno (10% − 4,5% = 5,5%) superestima o resultado, ainda que pouco. Todos os valores da página são projetados com essa taxa real.
Esta é a parte que mais gera confusão, então vale devagar. Quando você digita que quer uma renda de R$ 10.000 por mês, está dizendo "quero viver com o que R$ 10.000 compram hoje". Mas a inflação não para: com 5% ao ano durante 15 anos, os preços ficam 2,08 vezes maiores. Para manter aquele mesmo padrão de vida, daqui a 15 anos você vai precisar sacar R$ 20.789 por mês, não R$ 10.000.
Ou seja: o objetivo não é acumular um patrimônio que pague R$ 10.000 por mês lá na frente — é acumular um patrimônio que pague os R$ 10.000 de hoje corrigidos pela inflação do período. É isso que a calculadora faz.
Renda na data-alvo = Renda de hoje × (1 + inflação)^anos R$ 20.789 = R$ 10.000 × (1,05)^15Para não obrigar ninguém a fazer essa conta de cabeça, a página inteira trabalha em reais de hoje — é o efeito de projetar pela taxa real em vez da nominal. O patrimônio-alvo, o aporte e a renda aparecem todos na escala de hoje, que é a única em que dá para julgar se o número faz sentido. O quadro "O mesmo dinheiro, nas duas datas", logo abaixo dos resultados, mostra os três valores convertidos lado a lado, e a última coluna da tabela ano a ano traz o saldo em valores de face de cada ano.
Duas consequências práticas que costumam passar batido. A primeira: o aporte também precisa ser corrigido. Se o resultado diz R$ 6.409 por mês, guardar R$ 6.409 fixos por quinze anos não cumpre o plano — esse valor tem que subir com a inflação todo ano. A segunda: o saque continua subindo depois da aposentadoria. O primeiro saque não é igual ao último; ambos compram a mesma coisa, mas o número cresce ano a ano até o fim do período.
Em 1998, pesquisadores da Universidade de Trinity analisaram décadas de dados do mercado americano e concluíram que uma carteira diversificada suportava saques de 4% ao ano por 30 anos com altíssima probabilidade de sucesso. Daí vem o número 25×. Para o Brasil, onde a instabilidade é maior, muitos especialistas trabalham com 3% a 3,5%, o que eleva o múltiplo para 29× a 33× e aumenta a margem de segurança.
Repare que a regra dos 4% original é um estudo sobre 30 anos, e não sobre a eternidade. Se a sua taxa de saque for menor que a taxa real de retorno da carteira, o patrimônio cresce mesmo com você sacando — é o que o gráfico mostra depois do ponto FIRE.
Use o resultado como um alvo de planejamento, não como uma promessa. Revisar as premissas uma vez por ano vale mais do que acertar a terceira casa decimal hoje.
Informe os valores em reais de hoje. A calculadora corrige tudo pela inflação automaticamente.
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Simulação com o aporte necessário, em poder de compra de hoje.
Saldo, aportes, saques e rendimento de cada ano
| Idade | Saldo inicial | Aportes | Saques | Rendimento real | Saldo final | Saldo em valor de face |
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As cinco primeiras colunas de valores estão em reais de hoje, o poder de compra que o dinheiro tem agora. A última coluna mostra o mesmo saldo em dinheiro daquele ano, corrigido pela inflação que você escolheu — é o número que apareceria no extrato. As linhas em âmbar são os anos em que você já está vivendo da renda, e a de borda mais forte marca o ano em que os saques começam.